veio da capital, menino simples, por que não. veio na calmaria, menino bobo, bem parecia. desde criança, contava suas artimanhas de infância, menino inocente, que de moleque só tinha a vertente...
Dedé se mostrava frágil, se mostrava moço, era brincalhão, brincava de ser jovem, aos 19 anos era um adulto, quase já um coroão, pensava em ser famoso no mundo... mau sabia Dedé que seu nome já corria bem mais que um quarteirão.
Ele contava história, fazia malabarismos com as palavras!Eu tinha medo de uma criança capaz de me levar a infância. Lá vou eu repetindo minhas rimas bobas, inocência, brincadeira, criança, mas Dedé não passava disso, um adulto, que brincava de ser criança... que aos poucos mostrava o quanto é bom a dança!!!
Dedé era a prova viva que o mundo pode ser bom, que viver pode ser fácil, que amar não precisava ser pecado.Aquele menino pequeno, de pensamentos e ações gigantes, conquistava mulheres, velhas, novas, surdas ou ervas.Dominava geral, rica, pobre, santinha, radical... ele nasceu e sua mãe o batizou: "menino levado, carente, sem pudor..." vai morrer num orgasmo, e escrever como quem nunca rimou:"Nem todas mulheres gostam de apanhar, só as normais" Nelson Rodrigues.